O ano é 2026 e assuntos relacionados a Israel, Palestina, Oriente médio, judeus, árabes e correlatos ganham cada vez mais destaque, especialmente pelos acontecimentos recentes dos últimos anos, causando interesse, curiosidade, confusão e desinformação. O termo Sionismo não é exceção. Neste breve artigo, explicaremos de forma simples o que é Sionismo, suas duas principais variações e abordaremos resumidamente sua história, história essa que pretendemos abordar pormenorizadamente depois.

 

Conceito

Sionismo é o movimento de retorno do povo judeu para Eretz Yisrael, a Terra de Israel. Esse retorno tem várias faces, fazendo do Sionismo um termo guarda-chuva para abrigar os diversos Sionismos. O termo foi cunhado pelo escritor e jornalista judeu austríaco Nathan Birnbaum (1864–1937) em seu periódico Selbstemanzipation. Para quem não está familiarizado, nos anos 70 e 135 d.C. houveram dois grandes acontecimentos que impulsionaram a diáspora e iniciaram o exílio dos judeus: a destruição do Segundo Templo e a expulsão do povo pelo imperador Adriano respectivamente. Ainda assim, por quase três séculos após a destruição do Templo, a Judeia (renomeada Palestina pelo imperador Adriano) continuou como uma região de maioria judaica. Todavia, no século XI a maioria dos judeus que lá viviam foram expulsos e mortos em batalha na Primeira Cruzada. Daquele momento em diante o ato de retornar para casa assumiu um significado especial, e o Sionismo foi seu ápice.

 

Sionismo Religioso

Rabino Reines sentado ao centro juntamente com outros membros do Movimento Mizrachi em 1902.

Oficialmente é o movimento baseado na fusão da religião e da nacionalidade judaica. Pode ser traçado até os precursores do Hibbat Zion (posteriormente Hovevei Zion), incluindo os rabinos Yehudah Alkalai, Zvi Kalischer, Naftali Zvin Yehudah Berlin e Shmuel Mohilever. O rabino Mohilever (1824-1898) ao longo de sua vida se comprometeu ao retorno dos judeus a Israel. Foi líder do Hovevei Zion, uma confederação informal no leste europeu para promover a Aliá (imigração) à Eretz Yisrael e promover o desenvolvimento agrícola na terra, e concebeu a ideia dela como o Centro Espiritual – Mercaz Ruhani (מרכז רוחני), que originou o primeiro órgão institucional do Sionismo Religioso, o movimento Mizrachi, fundado em 1902 pelo rabino Yitzchak Yaakov Reines, com o objetivo de fazer da Eretz Yisrael o centro espiritual do judaísmo. O rabino Reines foi um dos primeiros dentre seus pares a apoiar o Movimento Sionista de Herzl, tendo atendido ao Terceiro Congresso Sionista em 1899 e participado de quase todos os encontros e congressos da Organização Sionista Mundial desde então. Segundo o rabino Reines, a crença no retorno de Israel a sua terra é uma das fundações básicas da fé judaica, e que “Nacionalismo” é a primeira e fundamental parte da fé de Israel.

 

Sionismo Político

Leon Pinsker

A explosão de Pogroms na Ucrânia (Império russo) e a implementação de leis restritivas aos judeus levou o físico judeu alemão Leon Pinsker à uma conclusão evidenciada no panfleto chamado “Autoemancipação” publicado em 1882. Nele, Pinsker diz que os judeus constituem um elemento distintivo entre as nações nas quais eles vivem, que não podem assimilar-se e nem serem aceitos por elas. Argumenta que enquanto o “dia do Messias” não chega, as nações devem perseguir um modo de vida tolerante. O contexto da vida entre os judeus europeus no século XIX demonstrava muito bem a razão das preocupações de Pinsker. A “Autoemancipação” é o que foi chamado de “Sionismo”; a necessidade de uma “independência nacional” do povo judeu, de “se tornar uma nação”, que para Pinsker não era possível até então pela falta de uma pátria, de uma língua e costumes comuns, de um centro de gravidade, de um governo e de uma representação oficial. E mais, pela falta de compreensão entre os judeus de que era necessário viverem de forma independente como uma nação. A conclusão de Pinsker para a solução relativa aos problemas dos judeus nesse contexto era o estabelecimento de um Estado judeu soberano. Nessa época surgiram movimentos para levarem judeus a se estabelecerem na terra de Israel, que juntos formaram os Hovevei Zion. Muitos imigrantes eram oriundos do leste europeu, cujos movimentos como o Hibbat Zion e Bilu foram um dos principais a promoveram a imigração judaica e os assentamentos agrícolas. Um número menor imigrou do Iêmen para Jerusalém. Mas houveram mais imigrações nesse tempo; Essa onda de imigração ficou conhecida como a Primeira Aliá (1882-1903).

 

Theodor Herzl

Todos esses atores e movimentos de fato deram início ao sonho sionista, mas foi Herzl quem o impulsionou, transformou o Sionismo em um projeto político, e se tornou o Símbolo do Movimento, sendo considerado o pai do Estado de Israel.

Em 1896 o mundo judaico foi abalado com a publicação de Der Judenstaat – O Estado Judeu escrito pelo jornalista húngaro Theodor Herzl e publicado em 14 de Fevereiro daquele ano. Ele estava entre os jornalistas que acompanhavam o julgamento de um oficial do exército francês, Capitão Dreyfus, acusado falsamente por traição e por espionar para o estado alemão, condenado em Janeiro de 1895. A multidão que acompanhava o julgamento gritava “morte ao judeu”. Foi isso que particularmente surpreendeu e afetou Herzl. Porque não estavam gritando “morte ao traidor”? O jornalista percebeu algo que outros antes dele já haviam percebido: não importa se os judeus são plenos cidadãos, têm direitos políticos ou estão integrados na sociedade e vivem no país há séculos, eles não podem ser assimilados ou aceitos, e sempre serão vistos apenas como judeus.

Sem saber, Herzl ecoa muito do que foi dito por Pinsker. Em seu livro, ele advoga pelo estabelecimento de um estado judeu autônomo em algum território (não necessariamente na terra de Israel, sendo a Argentina uma outra opção) como solução para a questão judaica. Os judeus não deveriam apenas imigrar para a terra de Israel, mas ter direito político para isso.

Herzl convocou o Primeiro Congresso Sionista, sediado em Basel – Suíça de 29 a 31 de Agosto de 1987, que estabeleceu metas para desenvolver os objetivos do sionismo e as bases para um futuro Estado, como a promoção de assentamentos judaicos de agricultores, artesãos e comerciantes. Contou com a participação de 208 delegados de pelo menos 14 países, e tornou o Sionismo uma organização mundial com instituições permanentes através da criação da Organização Sionista Mundial (OSM), também conhecida como WZO (World Zionist Organization) com o seguinte objetivo: “O sionismo busca estabelecer um lar para o povo judeu na Palestina, garantido pela lei pública”.

Todos esses esforços conjuntos que se seguiram no início do século XX levaram a uma das realizações mais significativas do Sionismo: a fundação do Estado de Israel em 14 de Maio de 1948, possibilitando ao povo judeu ter um lar novamente em sua própria terra como nação independente após cerca de dois mil anos.

O Sionismo possui outras correntes que não foram tratadas aqui, como a Trabalhista, Revisionista, a Cultural e a Cristã por exemplo. Hoje, o Sionismo enfrenta outra realidade e novos desafios: a negação do direito de existência do Estado de Israel, as ações de grupos terroristas e a crescente demonstração de antissemitismo muitas vezes disfarçada de antissionismo, defendendo o fim de Israel como uma nação soberana no Oriente Médio.

O movimento em suas diversas faces e organizações busca a unidade do povo judeu, sua conexão com Eretz Yisrael, o incentivo a imigração para sua pátria, e a cidade de Jerusalém como a capital eterna e indivisível de Israel. Em suma, o direito de viverem como judeus em todas as esferas da vida tendo Israel como seu centro.

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